Paninaro
"I don't like much, really, do I? But what I do like, I love passionately."

29.5.04


[13:05]

A VOLTA DO PSIQUIATRA

Para me livrar das loucuras do mundo, só mesmo um bom psiquiatra. E como eu sou especialista e fã da auto-análise, o meu melhor psiquiatra sou eu mesmo. E é por isso que eu retornei à velha casa.

Não sei que fim levará este blog. Talvez leve o mesmo fim que o show dos Pet Shop Boys no Brasil. Talvez leve o mesmo fim que vários dos meus sonhos (ou o único). Só o tempo dirá...

Escrito por Germano Vale Filho



23.5.04


[19:11]

O MUNDO INVENTADO

Engraçado: aqui, na minha frente, à altura da cabeça (um pouco mais alto, na verdade), na escrivaninha, alguns livros. Entre eles, "O Mundo Assombrado pelos Demônios", de Carl Sagan. Isso não quer dizer nada, a não ser o óbvio das peças deixadas pela vida ao longo do nosso caminho.

De uma hora pra cá (e, na verdade, já desde às 23h da noite de ontem) fico pensando que o amor é assim, como Deus: uma abstração criada por nós mesmos para justificar tudo aquilo na vida para o que não encontramos explicação. "Deus é Amor", é o que dizem. Então é isso mesmo e está tudo explicado.

Quando não se crê em Deus, logicamente não há de se acreditar no amor. Do contrário, o mundo vai sempre ser vivido diferentemente na cabeça de cada louco que teve a audácia de enfrentar essa dita realidade. Dos fatos como são, e não como deveriam ser, de acordo com nossos sonhos.

Sobre Deus, sempre tive dúvidas. Sobre o amor, nunca. De ontem pra hoje, as coisas têm mudado... Não creio mais que o amor seja real. E se não o é, também não é possível. É uma abstração. É realmente algo que inventamos para preencher o grande vazio do significado de nossa própria existência. E é por isso que se canta que "é impossível ser feliz sozinho", pois é mais fácil viver uma mentira em cumplicidade do que abandonado pelas circustâncias.

Engraçado: eu sempre acreditei que o que me movia na vida era o amor. Agora não mais. Mas, e agora, o que será?

Escrito por Germano Vale Filho



[18:48]

AINDA O CANSAÇO

Ele não passa, mas basta dar um primeiro passo que o cansaço começa a passar. Um dos passos eu dei, faltam os demais. E é preciso saber se o cansaço é tolerável e se vale a pena. Algo não dava mais, então o cansaço passou. E vai passar. Por bem ou por mal.

Escrito por Germano Vale Filho



22.5.04


[23:00]

O MELANCÓLICO MELODRAMA

Cansado de muita coisa, mas principalmente de quase tudo. De não poder fazer tudo o que quero sem o julgamento dos outros, ou de me limitar ao realizar meus desejos em respeito aos demais. Quero mais é que tudo exploda!

Cansado de não sair por muito tempo para tomar uma cerveja e curtir uma boa banda, e cansado de ficar cansado quando uma farra dessas acontece.

Cansado de esperar pelo que possivelmente jamais virá. E cansado de lutar por causas impossíveis.

Cansado de ser muito ingênuo em meio a tramas e armadilhas da pior espécie. Cansado de acreditar demais nos outros e ser eu próprio desacreditado por causa deles.

Estou cansado. É isso.

Escrito por Germano Vale Filho



15.5.04


[12:43]

SE CHOVER PEDRA EM FORTALEZA... NÃO SERÁ ESTRANHO

Engraçado: esta semana que ora passa foi extremamente "tumultuada" no meu ambiente profissional. Por coincidência dessas estranhas que a vidas no faz viver, almoçanco com meu grande irmão Gabriel, aparece-nos à presença a convenientíssima figura de Márcio Diniz (aquele que reclama que, em Fortaleza, poucas pessoas haveriam de lhe reclamar a cabeça: contribuintes do IPTU ou ex-usuários da Claro, apenas), o qual indaga-me se o movimento em minha firma amda fraco, assim como em praticamente todas as bancas de advocacia no momento.

Muito pelo contrário: o movimento lá está bom até demais! Tão bom que o meu vício em trabalhar até tarde está deixando de ser apenas um vício para ser uma concreta necessidade, praticamente uma obrigação! O acervo de trabalho se estende desde ae resolver problemas que não são de minha competência à me envolver em situações típicas de um livro de John Grishan (no momento, sinto-me na pele do próprio Mitchell McDeere, de "A Firma").

No entanto, profissionalmente estou muito feliz, pois estou basicamente, mais ou menos, onde sempre quis estar. Mas a pressão da responsabilidade de segurar grandes companhias nas suas costas... isso é bem complicado, deveras.

Diferentemente do colega Márcio, não faço a menor idéia de quem queira me ver morto no momento - ou até tenho, mas é melhor nem pensar nisso! E se eu estou ausente da vida das pessoas, acredite: não acontece sem sofrimento. Quanto a minha ausência deste blog, não irei justificar. As coisas mudaram muito do fim do Consultório Psiquiátrico até hoje. Tanto o é que, ao invés de ter sido um pioneiro do Orkut, até o momento me recuso veementemente de participar daquilo, e nem vou muito atrás de saber ao menos do que se trata exatamente. Não adianta me engajar nalgo que não terei tempo de usufruir. Já me basta a contribuição mensal do Greenpeace que eu pago por pura hipocrisia e sequer ajudo a preservar o meio-ambiente.

Escrito por Germano Vale Filho



14.5.04


[01:20]

O ESTADO

Sono. Muito sono. E cansaço. Desejo minha cama. E o sono.

Escrito por Germano Vale Filho



3.5.04


[10:59]

AS NOVAS NOVÍSSIMAS, MAS NÃO TÃO BOAS... NADA BOAS

Show dos Pet Shop Boys cancelado. A culpa é dos japoneses, que não cumpriram com a parte deles e inviablizaram a mini-turnê. Há esperanças de que os shows do Brasil sejam remarcados para o final do ano. Acredita quem quiser, e espera quem tem boa vontade. A esperança, afinal, é a última que mata.

Enquanto isso, a boa e velha (essa nunca é nova) rotina da vida profissional vai tomando conta de mim de forma cada vez mais constante. E é justamente agora que eu agradeço a mim mesmo pela compra (ainda que tardia) do DVD, que tem sido a minha única diversão nas pouquíssimas horas que tenho passado em casa. Engraçado que a maior parte do tempo era justamente vendo vídeos e shows dos Pet Shop Boys (já que não há de se ver os mesmos ao vivo).

Saudades da pérola da minha vida, a minha linda sobrinha que me ama e nem tem muita consciência sobre o mundo que a cerca. Luna é o nome dela, e eu bajulo demais a pobre criança. Problema dos pais, que terão que consertar todos os meus mimos... hehehehehehe!!

Saudade das noites, dos amigos, das bandas queridas, da programação religiosa do final de semana que tem estado em falta. Um dia há de voltar tudo como era antes - menos o Mucuripe, que agora é lá perto do Marina... nem as bandas de Recife, que aparentemente nunca voltarão mesmo.

Ao som do novo (mas nem tanto) CD da Legião Urbana - quase um Beatles brasileiro na arte de lançar materiais póstumos inéditos - que é legal, é bom e deixa saudades... ou como bem disse aquele que já se foi, "saudade que eu sinto de tudo o que eu ainda não vi". Pois assim foi a Legião Urbana: nunca vi um show. Nunca realizei um sonho. E assim parece que vai acontecer também com uma certa dupla do norte da Inglaterra.

Para Neil e Chris, retorno-lhe as palavras de uma das melhores músicas de sua carreira que já ouvi, em protesto ao que eles mesmo já haviam protestado: o descaso com aqueles que preferimos ignorar - só que elevando o mesmo a uma escala geopolítica bem mais considerável. O nome da música é "The Theatre" - para mim a melhor do álbum Very, de 1993:

While you pretend not to notice
all the years we've been here
We're the bums you step over
as you leave the theatre


Escrito por Germano Vale Filho



22.4.04


[21:54]

AS BOAS, AS DE SEMPRE E AS NOVAS

Bem, quando falo em novas, não me refiro àquelas cervejas mixurucas que tentam, tentam e só fazem muito barulho por nada. A melhor nova talvez seja o show dos Pet Shop Boys em Fortaleza. O lado ruim é ter que aguentar neguinho dizendo que é indício de decadência quando uma banda de tanto prestígio vem fazer show por aqui, nesse quintal do boga do mundo... e ainda ser obrigado a concordar. Decadência ou não, sei que eu vou, até mesmo porque um dos maiores projetos da minha vida era ver, ao vivo, um show de Neil Tennant e Chris Lowe. A oportunidade está aí: dia 05 de junho, no Mucuripe (e não no Marina Park - informação de primeira mão). E como existem muitas pessoas com Mal de São Tomé, basta conferir a agenda da banda no próprio site oficial.

No mais, muito trabalho, muito trabalho mesmo! Feliz com quase tudo, chateado com outras coisas, mas assim é qualquer vida profissional. Para quem há cerca de um ano não se via nem morto advogando, estar num dos maiores escritórios do Brasil assoberbado de grandes responsabilidades é uma virada de mesa muito grande!

Por isso mesmo há pouco tempo para o resto da vida. Tudo meu é desmedido: do empenho no trabalho às paixões. É só vontade de querer, mas quando se perde a graça...

É bom perceber que as pessoas começam a cobrar por minha presença (né, Edilberto!?). Mas o objetivo desse (novo) blog, diferentemento do outro que ficou pra trás no meio da história, é escrever quando possível, quando conveniente e quando houver paciência e/ou disposição. O afastamento desse espaço ocorreu por vários motivos, mas o fato é que se houvesse vontade, aqui eu teria postado várias vezes nesse mês que passou. É que o tempo nos ensina que se não há nada para dizer, o melhor é permanecer calado. Que seja!

Obrigado aos que ainda se dignam a visitar este blog, que finalmente vai ganhar um sentido para o seu título. Afinal, os Pet Shop Boys vêm aí, e depois deles, creio que já poderei morrer em paz.

Escrito por Germano Vale Filho



20.3.04


[18:32]

DA CERTEZA DE VIVER A VIDA MEDÍOCRE PARA TODO SEMPRE

"Somos quem podemos ser / Sonhos que podemos ter". Uma música dos Engenheiros do Hawaii. Mas se houvesse uma música para este momento - e há! - seria "Everybody Wants to Rule the World".

Porque o mundo é assim. Se planejamos, se queremos idealizar e arquitetar sonhos, se queremos melhorar, a maldita mão invisível - provavelmente a mesma que conduz as forças econômicas - nos dá um tapa horrível nas costas e nos adverte, "Ei, cidadão! Você tá querendo demais... não é assim, não! Abre os olhos!"

A maior parte das pessoas da minha estima discordam de mim, mas eu acho que as curvas parabólicas do viver têm concavidade para baixo. Pelo menos eu vivo no fundo do poço com alguns picos de felicidade, vez ou outra. Mas isso não significa que viver no fundo do poço seja a pior coisa do mundo, porque quando esta é a sua realidade, você acaba se conformando e se adaptando a ela. Além do mais, existe a pá, a maldita pá que faz com que, vez por outra, o fundo do poço seja sempre mais embaixo.

Uma vez ou outra eu decido mudar, decido melhorar. Mas há o destino. Eu nasci para ser o que sou e o que quer que seja. Todos nós. Alguns aceitam com mais facilidade, outros não. Eu sou o misto disso - o Contraditório Ambulante - eu não me filio a correntes ou a doutrinas. Eu as faço em meu mundo particular. Sou autista, com orgulho e com medo.

É horrível fazer com que as pessoas se sintam culpadas por causa de você. É horrível viver paixões não correspondidas. É horrível ser muito bom e trabalhar dia após dia nalgo que você tem certeza que não gosta e que não é a sua realidade. É tudo horrível, mas no mundo, existem dois tipos de pessoas: os medíocres que aceitam tudo como são e se conformam com isso, ou os revolucionários que querem mudar o mundo e transformá-lo num canto melhor. Estes estão todos mortos, ou irão estar mortos muito em breve, pois é impossível se rebelar contra a natureza do devir.

Por tudo isso, encerrarei a noite deste sábado ao som do que tenho ouvido há bastante tempo - tanto hoje como sempre -, e só agora abri os olhos para enxergar o que sempre esteve a um palmo do meu nariz:

I can't stand this indecision
Married with a lack of vision
Everybody wants to rule the world
Say that you'll never never never never need it
One headline why believe it?
Everybody wants to rule the world

All for freedom and for pleasure
Nothing ever lasts forever
Everybody wants to rule the world


Escrito por Germano Vale Filho



17.3.04


[20:30]

DO TEMPO OCUPADO PARA NÃO FAZER NADA

A realidade dos meus dias tem sido uma extrema ocupação com coisas que se acumulam e eu acabo sem saco de resolver tudo duma vez. E na advocacia, as coisas não se acumulam: há prazos. Mas deveria haver paciência também, que está me faltando por muitas vezes.

Enquanto isso, as coisas surgem do nada: era uma festa de aniversário bastante atrasada no meu escritório, que acabou se transferindo para o Santa Grelha (lá perto da cratera onde meu carro sucumbiu). Algumas Cerpinhas depois, lançou-se o desafio: The Pub ou Mucuripe? Eu, que não sou exatamente burro, manobrei os heróis da resistência em direção ao The Pub, claro! Eles iriam tocar naquela noite, então seria unido o útil ao agradável. Acabou que o agradável sobrepôs-se - e muito - ao útil, e a noite foi maravilhosa!

É assim que as coisas, do nada, acontecem - quando mais se precisa e menos se espera! Apesar do histórico particular não tão propício, é hora de cantar "saudações a quem tem coragem!", não fosse o fato retrógrado de estar ouvindo "Tonight", dos New Kids on the Block. Hoje é só velharia no som da distração em meio ao enorme vácuo de tempo ocupado que me atinge. Mas se a matéria é cheio de vazios, estou apenas cumprindo a Lei da Natureza.

Escrito por Germano Vale Filho



7.3.04


[15:57]

O INFERNO É EXATAMENTE AQUI, ONDE ESTAMOS

Promessa de campanha: criação de empregos.

E eis que o presidente aleijado, para salvar a pele de um só homem - que também não inspira a menor confiança -, resolveu demitir 320 mil. É claro: acaba-se com os carrapatos matando a vaca. E eis porque eu nunca simpatizei com o PT - falsos idealismos, falsa moral, enganação em massa. Se fosse para ter um Governo assim, preferia ter votado no José Serra, porque dele, pelo menos, se poderia esperar esse tipo de conduta. Enquanto isso, José Dirceu permanece no Governo, mas aqueles que se mantiveram fiéis aos mandamentos do partido, que não traíram suas origens, foram todos expulsos.

Já aqui, em Fortaleza, o Inácio jogou fora seu eleitorado pelo apoio à esdrúxula Reforma da Previdência, e agora recebeu o devido troco: o PT quer eleger mais uma mulher para a prefeitura local, como se já não tivesse bastado o desastre da Maria Luíza. É assim: se Sérgio Benevides for o candidato da situação, eu voto nele sem sombra de dúvidas!!!

[Mentira: voto não, porque meu título de eleitor foi tirado lá em Aquiraz...]

Escrito por Germano Vale Filho



3.3.04


[11:34]

EU: O FUTURO MILIONÁRIO

Prezados, agora estou mais perto de ganhar na mega-sena. Ontem comecei a jogar, coisa que não fazia antes. É isso!

NOTA DA REDAÇÃO EM 04/03/2004: não ganhei na mega-sena no sorteio de ontem...

Escrito por Germano Vale Filho



[11:06]

O MUNDO, ASSIM, GIGANTESCO!

Na minha infância, estudei no colégio da minha família. Chamava-se Instituto Educacional de Alencar. Uma escola pequena, bem pequena mesma, que até era conhecida por seus alunos como "A Escolinha". Creio que não chegou a ter mais do que quinhentos alunos e só tinha turma até a oitava série, que eu sequer cheguei a cursar lá porque saí bem antes para ir pro Colégio Militar.

Mesmo assim, um fato curioso: estudei lá até a quarta série (em 1989), e mesmo depois de tanto tempo ainda tenho contato com várias pessoas da minha turma, inclusive tendo alguns dos meus melhores amigos entre os tais.

E por uma dessas brincadeiras que o destino gosta de fazer com a gente, hoje eu me encontro trabalhando num dos maiores escritórios de advocaia do Brasil, numa sala com outros três colegas. Eliane, Fernando e Felipe. A Dra. Eliane, não, mas os outros dois também são ex-alunos da Escolinha.

É porque o mundo é assim, e repetindo as palavras da Karla Santana, "Fortaleza é a gema do ovo de codorna!"

NOTA DA REDAÇÃO, EM 04/03/2004: na verdade, são quatro ex-alunos da Escolinha, porque o Marcelo Memória, antes de ir morar na França, também passou pela Escolinha, ainda que por menos tempo que nós, os outros...

Escrito por Germano Vale Filho



27.2.04


[14:42]

A [RIDÍCULA] PROFECIA

Sobre o post anterior: sim, eu piorei.

É isso.

Escrito por Germano Vale Filho



25.2.04


[16:47]

FELIZ ANIVERSÁRIO! - PARTE 2

No seu próprio aniversário, conquanto seja quarta-feira de cinzas, a pessoa está doente e ainda precisa ir trabalhar - mesmo que o escritório oficialmente não esteja funcionando.

E aí, no almoço, a pessoa está doente e vai com melhores amigos a um rodízio de carnes e se entope de tudo o que não presta.

Nota mental: se amanhã estiver mais doente do que hoje, lembrar de não saber o motivo...

Escrito por Germano Vale Filho



[09:08]

FELIZ ANIVERSÁRIO!

Ao narcisista, saudem-no! A festa não haverá, porque as finanças estão decadentes. Os presentes serão bem-vindos, e o melhor presente será apenas a lembrança daquilo que já foi, o que será, que será?

Quarta-feira de Cinzas, meu aniversário. Não poderia haver um dia melhor escolhido pelo destino - o dia da ressaca universal no território nacional. Assim eu sou. Assim eu mereço.

Ao narcisista, saudem-no enquanto é tempo!

[PS: festas surpresas serão muito bem-vindas...]


Escrito por Germano Vale Filho



23.2.04


[12:44]

MANUAL PRÁTICO DE COMO FAZER AS COISAS

1. Escolha o que você quer fazer;
2. Faça.


Um dia eu quis aprender alemão. E me deu vontade de aprender italiano também. Aí eu fui no curso de alemão e de italiano, fiz a matrícula e estou indo às aulas. É assim.

Próximo querer-fazer: aprender a tocar baixo. Então em breve irei a uma loja de instrumentos musicais, comprarei um baixo e seja o que a vida quiser. Um baixo, sim. Porque se eu tivesse conhecido Picasso, eu compraria uma guitarra cinza e iria tocar.

[Só não sei se serei canhoto, como já havia prometido um milhão de vezes antes...]

Escrito por Germano Vale Filho



[12:18]

SEXTA-FEIRA NO ESCURO

Depois de ter vivido o óbvio utópico - te beijar - e de ter brincado sobre a sinceridade e dizer quase tudo quanto fosse natural.
Eu fui praí te ver, te dizer:
"Deixa ser como será, tudo posto em seu lugar. Então tentar prever serviu pra eu me enganar.
Deixa ser como será, eu já posto em meu lugar, num continente ao revés, em preto e branco em hotéis, numa moldura clara e simples sou aquilo que se vê."



[- O que você quer ganhar de presente de aniversário?]
[- Uma música dos Los Hermanos. Uma assim, que conte a história da minha vida.]


Escrito por Germano Vale Filho



21.2.04


[10:50]

A DICA

Ontem foi um dia com final desagradável. Sem ingressar no mérito da questão - o qual prefiro realmente esquecer -, o fato é que no começo da tarde surgiu uma oportunidade única de ir à Olinda, por um preço bastante em conta (ainda que minha situação financeira atual e minhas pendências profissionais indiquem que tal iniciativa, que seria totalmente impulsiva - como sempre são as minhas coisas -, tornar-se-ia uma gradissíssima irresponsabilidade). Não fui. Mas esta manhã, quisera estar num ônibus a caminho da boa cidade do Recife.

Dessa forma, acordei cedo, tomei banho e antes de vir ao escritório trabalhar - falta-me a disposiçãom, mas aqui já estou - fui até o Titanzinho ver o mar e as pedras, ao som do primeiro álbum dos Strokes. A vista do velho farol do Mucuripe é maravilhosa! Tomei conhecimento do local com um dos meus melhores amigos, o Arthur, ainda que vez por outra passemos muito tempo sem nos comunicar.

Trilha sonora para minha vida é o que há de mais eclético. Dias atrás, eu acordava ao som de Elton John - Love Songs, trafegava por Fortaleza ao som de Ratos de Porão - Ao Vivo, e trabalhava ao som de Tom Jobim - Sinfônico. Três momentos diferentes para três estilos completamente díspares, assim como são os altos e baixos emocionais de meu cotidiano.

Escrito por Germano Vale Filho



[10:33]

MINHA VIDA POLÍTICA, Ó DEUS!

É sério. Um dia eu me candidato a vereador em Fortaleza. Boçalidades a parte, é incrível a capacidade que eu tenho de estar em qualquer lugar e sempre ter algum conhecido.

Uma vez foi no cinema, o filme era "O Último Samurai". Na fileira que escolhemos para sentar, lá estava minha xará Germana, dos bons tempos de Faculdade de Direito, e antes do filme por alguns instantes conversamos. E sentei. Ao meu lado, por uma dessas ironias do destino e tamanha coincidência estava o JC, dileto companheiro de jogos de basquete e de bate-papo. [se houvéssemos combinado, não teríamos nos encontrado... é sempre assim]

Isso sem contar os interessantes encontros com minha amiga Tatiana, que também era estagiária no escritório do hoje grande amigo Wellington Leitão. No começo do ano passado, voltando a pé para casa da oficina, eis que ela passa de carro, pára e começamos a conversar. A novidade à época é que eu havia dado uma pausa no Direito e estava cursando Física, na UFC. E ela começou a rir e disse, "Germano, vai trabalhar!". Esse ano, no baile de formatura da Faculdade de Direito, enquanto volto ao meu carro para travá-lo (havia esquecido), eis que numa rua calçamentada, uma daquelas que passa pela lateral do Lula's Palace, lá está Tatiana novamente passando de carro, a caminho do show da Maria Rita. E então a boa nova foi que eu havia acatado sua suestão de quase um ano antes e estava novamente advogando, e que assim estava muito bem.

Aí eu estava quinta-feira no Tribunal de Justiça, fantasiado de advogado e tudo mais, quando dei por fé do rasgo enorme na minha camisa - sabe lá Deus como aquilo aconteceu. Ao sair de lá, ainda passei no Fórum para devolver um processo. Em ambos locais encontrei pessoas conhecidas, estimadas.

E então resolvi ir ao Iguatemi para comprar uma nova camisa. Na fila da C&A, além de me encontrar com a Karolyne, dos tempos de Colégio Militar, ainda me encontro com Dona Regina, a mãe do Igor, senhora esta que eu sequer conhecia, sendo ela quem veio me indagar seu eu havia estudado com seu filho no Colégio Militar, o que justifica o fato de que Fortaleza realmente é a gema do ovo de codorna (by Karla Santana).

Indo embora, o mais incrível: também dos tempos do Colégio Militar, o grande Alves, que hoje é militar, tenente, e serve em Teresina. Voltava à capital piauiense naquela noite, de forma que só tivemos tempo para conversar amenidades, trocar telefones e e-mails. E justificando a teoria acima, ele é amigo de infância do Raphael.

Assim é o mundo. O meu mundo, cheio de pessoas conhecidas, de histórias do passado e de vivências no presente. O sabor do reencontro é o que há de melhor. E é por isso que desde 1997 eu faço questão de ir a todos os aniversários do Colégio Militar, reencontrar os bons e velhos amigos que, mesmo que nos vejamos apenas naquela oportunidade, até parece que nos falamos todo dia.

[o fato é que eu também fiquei bastante famoso, ainda que a contragosto, por causa do incidente do meu carro... nesse mesmo dia no Iguatemi, ao pagar o estacionamento, a moça do pagamento perguntou se eu era advogado e disse que tinha me visto no Jornal Nacional...]

Escrito por Germano Vale Filho



13.2.04


[18:51]

DA LAMA AO CAOS

...e por mais que uma sexta-feira 13 tenha o condão inato de ser um dia estranho, mais estranho ainda foi a quinta passada. Ao que me consta, nem houve basquete na casa do Veras. E choveu. E as coisas que aconteceram não foram das mais agradáveis - da minha refeição solitária num restaurante vazio aos tortuosos caminhos trafegados no final da noite.

Escrito por Germano Vale Filho



[18:48]

DIA ESTRANHO

Sei não... Superstições a parte, esta sexta-feira 13 está muito estranha. O pior de tudo é que nada aconteceu, mas há um clima nebuloso no ar. Alguma coisa ruim está para acontecer... Pelo menos é assim como me sinto.

[já sei: basta assistir a qualquer noticiário hoje a noite, pois o que não faltará entre as notícias é desastre, como sempre...]

Escrito por Germano Vale Filho



11.2.04


[10:44]

DO AZUL MAIS LINDO

Tomando banho esta manhã, pela janela do banheiro percebo o [verdadeiro] céu de Fortaleza, e o encontro do mesmo com o mar azul no horizonte.

Claro que o banho demorou mais. O chuveiro voltou a ser desligado, e o frio nem foi incômodo fronte à paisagem. Deu-me vontade de limpar a poeira por sobre a caixa do CD do Azymuth, e vim ao trabalho ao som de "Vôo sobre o Horizonte".

Das belezas da vida, acabo surpreendendo-me mais com aquelas que estão a um palmo de nossos narizes e muitas vezes fazemos questão de não percebê-las.

[fim do momento Anomia]


Escrito por Germano Vale Filho



8.2.04


[14:16]

AS ÚLTIMAS - NÃO TÃO NOVAS, NÃO TÃO VELHAS

Terceiro fim de semana seguido no qual preciso ir ao escritório trabalhar. Por incrível que pareça, um dos meus maiores sonhos era isso: dispor de uma estrutura e de um nível de profissionalismo tão excelente que me permitissem, com gosto, trabalhar algumas vezes até tarde da noite e aos finais de semana. No meu último escritório, isso teria sido impossível, porque não tinha gosto sequer de ir lá durante o expediente de trabalho, quanto mais em horário extraordinário.

Ainda assim, dá pra dar uma saidinha e relaxar. Ontem, por exemplo, Órbita. E fazia MUITO tempo que eu não aparecia na Órbita numa noite de sábado. Nas outras semanas, entre outros, também andei no The Pub, Base Sports Bar, Mestre de Obras, o [bom] e velho Assis... e até mesmo no BNB - show dos Los Hermanos.

Também há tempo para cinema, tendo visto, desde o início do ano, "Sexo, Amor e Traição", "Callas Forever", "O Juri", "Adeus, Lenin!", "21 gramas", "Aos Treze", "O Último Samurai", "Encontros e Desencontros" e "Narradores de Javé". Infelizmente, por falta de uma organização melhor - e até mesmo de força de vontade - acabei perdendo a Mostra do Woody Allen no Cine Benfica. Henrique, tô te devendo mais uma, OK?

Escrito por Germano Vale Filho



[13:48]

Resolvi ter vergonha na cara: voltei a estudar Alemão.

É, depois de quatro aprovações nas Casas de Cultura e dois abandonos ao longo do primeiro semestre, decidi por bem tentar mais uma vez. Só que dessa vez não foi nas Casas da Cultura da UFC - provavelmente já sou considerado persona non grata na Cultura Alemã. Agora estou estudando no Pense, lá no Del Paseo. Só que não gosteri muito da primeira aula, não. Turma muito lotada... As recepcionistas do curso me disseram que ao longo do semestre o povo vai desistindo - igual na Cultura Alemã, e eu sei disso porque eu mesmo desisti duas vezes! E pra me forçar a ser determinado, escolhio justamente um curso pago, num canto onde também pago o estacionamento, com aulas nas manhãs de sábado com três horas de duração.

[agora quando eu chegar no Veirano e a Cristina vier me chamar de "Alemão", posso justificar minha fama e, ainda, esculhambá-la em Alemão e dar um sorriso cínico... hehehehehe!]

O melhor de tudo é que, na empolgação, acabei me matriculando também no Italiano. Este sim, estou gostando mais. As aulas são no horário do almoço de terças e quintas, e para me engajar mais ainda na cultura do povo italiano, todo dia em que há aula como pasta no Spoleto e depois tomo gelato no Barbaresco. Va benne!

Escrito por Germano Vale Filho



[13:40]

Caí num buraco. Sim, um buraco no asfalto. Quer dizer, nem asfalto tinha, porque a rua tava em reforma pouco tempo antes e ainda não haviam pavimentado, apesar de que o quarteirão já estava liberado. O fato é que a obra na rua era justamente para facilitar o escoamento da água durante as chuvas. Aí cai um toró, o cruzamento fica completamente alagado, não dá pra ver nem a calçada, e a obra - muito bem feita, por sinal - em vez de escoar a água faz com que a mesma cave a areia de duna que há sobre a pista e instale ali um "buraco oculto". Resultado: carro na oficina e meus quinze segundos de fama em todo o Brasil.

[mas teve gente que teve prejuízo bem maior... dos males, o menor parece que foi mesmo o meu!]

Escrito por Germano Vale Filho



5.2.04


[23:46]

A VOLTA (E AS VOLTAS DO MUNDO)

Um breve recesso, ou longo. Uma tentativa de não mais vir aqui, mas existem pessoas que realmente lêem o que escrevo. E que sentem saudades. Por mais que quase sempre eu faça questão de não me importar com isso, acaba sendo uma coisa boa. Então, eis que volto. Não com a pressão e com a satisfação (1) para com aqueles que ainda dispunham de um tempinho para entrar no Consultório e perder algum tempo. Volto com a satisfação (2) de poder falar a quem quiser ler, ouvir, compartilhar idéias. Porém, volto com o compromisso de também escrever o que quiser, quando quiser e da forma que quiser.

Que aqui seja uma coisa boa. Um ambiente sóbrio (não só pelas cores ou pelo estilo de exibição). Que não seja forçado ou imposto, ou somente uma satisfação (1) ao "público". Que aqui seja de verdade, como é a vida, como são as dores, as desilusões. E como são as próprias verdades. As de verdade, não as inventadas. Que aqui seja satisfação (2).

É isso.

Escrito por Germano Vale Filho



8.1.04


[21:20]

FALTA DE CONSIDERAÇÃO

Ultimamente tenho sido cercado por falta de consideração. É um sentimento horrível, principalmente quando isso acontece por parte da pessoa por quem você provavelmente daria a vida para protegê-la.

É só um desabafo. Poucas pessoas andam por aqui mesmo...

Escrito por Germano Vale Filho



7.1.04


[10:19]

PENSAMENTOS RIDÍCULOS

Há alguns dias, ainda em meados do mês de dezembro, comprei a coletânia dos Cranberries. É daquelas bandas, como o Tears for Fears, que gosto mas que não preciso ter a discografia completa. Ainda senti falta de várias músicas da banda, dos dois primeiros álbuns, mas estou satisfeito com a aquisição.

O interessante desta coletânia foi redescobrir, na noite de ontem, antes de dormir, uma música da qual gosto tanto e há tempos não a escutava. Ridiculous Thoughts. Deve ser inclusive uma grande indireta da vida em relação a tudo o que tem passado pela minha cabeça constantemente nos últimos dias. E a voz de Dolores O'Riordan - ou a versão feminina do Morrissey, como a considero - é bastante angustiante, apesar de linda.

Minha recomendação de audição para hoje e sempre: Ridiculous Thoughts - The Cranberries.

Escrito por Germano Vale Filho



6.1.04


[21:55]

O PREÇO DAS PESSOAS

No final de semana, depois de vários desencontros e descompromissos, acabei ficando por casa na noite de domingo. Na TV, passou um filme que eu já havia visto no cinema, mas optei por ver de novo para ver se passava a má impressão deixada na primeira vez. O filme era "A Soma de Todos os Medos".

É muito estranho ver uma mesma personagem, no caso Jack Ryan, com perfis tão diferenciados. Jack Ryan é uma personagem fixa de uma série de livros excelentes do Tom Clancy, mas no cinema já foi interpretado por três atores diferentes. Na primeira vez, foi um dos irmãos Baldwin, e ele tinha um certo ar de canastrão em "Caçada ao Outubro Vermelho". O problema é que Sean Connery brilhou demais no filme e acabou ofuscando aquele que deveria ser o protagonista da trama.

Nas próximas duas edições, um homem bem mais sério, e também mais importante dentro da CIA, um grande mérito da interpretação do também grandioso Harrison Ford. Com certeza os melhores filmes do Agente Ryan: Jogos Patrióticos e Perigo Real e Imediato.

Neste último, Jack Ryan é bem novinho, um cara não tão importante dentro da CIA, interpretado por Ben Affleck.

É muito estranho, até porque estava muito acostumado ao Jack Ryan de Harrison Ford, que era casado e tinha filhos, por sinal. De repente, um cara novo, sem maiores prestígios dentro da CIA, namorando uma médica... É outra pessoa. Não dá nem para falar em "dupla personalidade", porque são realmente pessoas diferentes.

Da série de livros, o único que li foi Perigo Real e Imediato, que é muito bom. Mas tenho certeza que Tom Clancy desenvolveu sua personagem com a mesma história de fundo e com o mesmo perfil psicológico. E o cinema, pra variar, faz questão de destroçar mais uma boa obra intelectual...

Mas considerando que o próprio Michael Chrichton, o autor, o criador da história, fez isso ao escrever o segundo livro da saga Jurassic Park - ressalte-se: 100% voltado ao interesse financeiro da indústria cinematográfica -, depois de todo o sucesso do primeiro filme, quando, na verdade, o velho John Hammond morria no final do primeiro livro... quem é que ainda respeita alguma coisa quando há dinheiro envolvido?

Eis o mundo em que vivemos: todo mundo tem seu preço. Entenda: todo mundo tem seu preço. Alguns, mais probos, é que podem ser caros demais...

Escrito por Germano Vale Filho



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